Entrar no banho, puxa vida,
é acabar com a brincadeira.
- Já pro banho, não enrola,
olha só quanta sujeira!!
Todo dia isso acontece
Minha mãe é mesmo fogo:
sempre fica me chamando
na melhor parte do jogo.
Eu subo pro banheiro
de bico, e emburrado.
"Todo mundo está brincando
e eu sozinho aqui, pelado!"
Aí... eu entro no box,
e o burro fica de fora.
A água começa a cair
e me esqueço logo da hora.
Ajeito pra trás o cabelo
que o creme rinse alisou.
"Luzes, câmera, ação!
Vai começar o meu show!"
Seguro o chuveirinho
e canto um rock maneiro.
Só engasgo, de vez em quando,
com a água do chuveiro.
A platéia, entusiasmada,
aplaude e pede mais um.
Durante o bis vou lavando
a barriga, o pintinho, o bumbum.
A minha touca de plástico
me serve que nem uma luva.
Com ela, sei que sou um índio,
e invento uma dança da chuva.
Cláudio Thebas. Amigos do Peito. Belo Horizonte: Formato, 1996 p. 26-7